Voltar a um clássico que marcou a história dos videogames é uma experiência curiosa. Você conhece aquele mundo e lembra, pelo menos em teoria, onde ir e o que fazer. Ao mesmo tempo, começa a perceber que não é o mesmo lugar, mas a sensação de estar em casa ainda é a mesma.
Ao jogar 90 minutos do remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, foi um pouco da sensação que tive ao voltar para a Hyrule da década de 90. A nova versão chega ao Switch 2 com gráficos completamente retrabalhados, controles que lembram os atuais jogos da franquia e uma novidade que irá agradar o público brasileiro: a dublagem em português.
A demonstração, dividida em três partes, passa pelos primeiros minutos do jogo, além de trechos de exploração em Hyrule e por uma dungeon mais avançada, com combates e quebra-cabeças, o suficiente para perceber que o game irá agradar tanto quem conhece o original quanto quem vai descobrir essa aventura agora.
Um clássico que finalmente ganha a apresentação que merece
A primeira parte da demonstração acontece logo no começo da jornada, quando Link é acordado pela Navi, aprendendo os comandos básicos. Aqui, você entende como funcionam os ataques, as esquivas e a defesa, além de se familiarizar com a movimentação do personagem.
Quem jogou a versão original no Nintendo 64 vai agradecer de os controles estão mais amigáveis. A câmera e a disposição dos comandos no Switch 2 deixam a experiência mais confortável, sem ter que brigar com o controle para executar uma ação simples.
Isso não significa que o remake tenha abandonado os desafios do jogo original: o sistema continua exigindo atenção aos movimentos dos inimigos, como o momento certo de atacar e a maneira como cada confronto deve ser encarado (falo disso mais pra frente).
Visualmente, a mudança também chama a atenção desde os primeiros segundos do gameplay: a vegetação, iluminação e a composição dos cenários clássicos ganham uma roupagem muito bem-vinda, ajudando a construir um mundo mais vivo, sem perder a identidade visual que tornou Ocarina of Time tão reconhecível.
Hyrule está mais viva do que nunca
A segunda parte da demonstração é mais curta, focada em exploração, colocando Link no caminho para o Castelo de Hyrule. O caminho pelos campos até o castelo serve como uma apresentação da dimensão do mapa e das mudanças que acompanham o remake.
A primeira coisa que chama a atenção é o draw distance: o horizonte, além de mais detalhado, permite observar elementos do cenário que dão uma maior noção da escala desse mundo. Os campos verdes se estendem por uma área maior, criando uma ambientação mais convincente.
Outro detalhe é a quantidade de personagens que aparecem simultaneamente na tela assim que você chega ao castelo. Os NPCs e as ruas da praça transmitem mais a sensação de que Hyrule é um lugar habitado, e não apenas um cenário renderizado para receber Link em sua aventura.
O caminho continua reconhecível, mas os detalhes visuais fazem com que a exploração pareça mais natural, lembrando um pouco do que Breath of the Wild fez, mas de um modo mais linear.
As dungeons continuam exigindo paciência
A terceira e última parte da demonstração foi a mais divertida (acho que pela maioria que testou), onde Link, já mais velho, entra na dungeon do Templo da Floresta, com ambientes mais escuros, inimigos mais fortes e quebra-cabeças que exigem maior atenção.
Aqui é possível ver um pouco mais de como a iluminação do remake mostra – entre outras coisas, que não parece ser um jogo 1:1. As sombras, a névoa e os pontos coloridos de luz criam uma atmosfera mais intimista. A nova direção de arte merece elogios justamente por entender o que fazia o primeiro jogo tão único. Em certos momentos, a escuridão faz parte do trabalho, ajudando a criar uma sensação de mistério que combina com a proposta da aventura.
Os inimigos são mais resistentes e pedem um timing melhor para ataques, esquivas e defesas, ou seja: não saia apertando os botões de qualquer jeito, entenda o comportamento de cada adversário, escolha a arma adequada e identifique as oportunidades para avançar. São controles novos, vai na boa.
Infelizmente, não consegui chegar ao confronto contra o Phantom Ganon, chefe da dungeon apresentada durante o teste. Ainda assim, a demonstração foi suficiente para mostrar que o remake não pretende transformar deixar nada mais fácil para o jogador, independente da idade.
Dublagem em português é uma das grandes novidades
O remake de Ocarina of Time conta com vozes em português brasileiro, novidade que pudemos ouvir durante a demonstração. As cenas cinematográficas além de mais longas, permitem que os personagens interajam e transmitam suas emoções. A presença das vozes ajuda a construir uma conexão maior com a história e torna alguns momentos mais expressivos do que eram na experiência original.
Ainda existem situações em que os personagens permanecem em silêncio durante as falas apresentadas na tela, mas isso é uma marca registrada da franquia. Nas cutscenes, a dublagem contribui para dar mais personalidade ao elenco e reforça a sensação de estar diante de uma aventura renovada.
Não reconheci todas as vozes durante a sessão, mas a participação do dublador Mauro Ramos me foi familiar. O trabalho do veterano dublador é um dos pontos que mais me chamaram a atenção durante o teste, assim como o resto da dublagem dos personagens.
Obrigado, Nintendo, por ouvir o público brasileiro.
Ocarina of Time irá conquistar uma geração nova
Depois dos 90 minutos de demonstração, a palavra que resume pra mim é conforto. Faz mais de 20 anos desde a última vez que joguei Ocarina of Time, então boa parte da experiência para mim foi como se tivesse conhecendo um jogo novo.
Se você achava que um remake não era necessário tão cedo, especialmente depois da versão para Nintendo 3DS, talvez seja a hora de reconsiderar. Pelos testes, a nova edição não se limita a atualizar os gráficos de um clássico, mas sim usar a estrutura de jogo sem abandonar o que fez o original ser tão importante.
A influência de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom é clara, tanto em como o mundo é apresentado quanto na mudança dos controles, proporcionada pelo hardware atual. O resultado ainda preserva a estrutura do Ocarina original, mas oferece uma nova visão sobre uma aventura que muitos jogadores já conhecem de cor – e que não é exatamente a mesma.
Agora, fica a pergunta: um remake de um dos jogos mais bem avaliados da história pode entrar na disputa por jogo do ano? Se a versão completa conseguir manter o nível apresentado nesses 90 minutos, não será difícil imaginar que Ocarina of Time volte a ocupar o centro das atenções sobre os grandes jogos da indústria mais uma vez.
Essa briga será interessante de acompanhar.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time será lançado em 5 de novembro de 2026, exclusivamente para Nintendo Switch 2.
Jogo testado na Cidade do México a convite da Nintendo.
[[{“value”:”Voltar a um clássico que marcou a história dos videogames é uma experiência curiosa. Você conhece aquele mundo e lembra, pelo menos em teoria, onde ir e o que fazer. Ao mesmo tempo, começa a perceber que não é o mesmo lugar, mas a sensação de estar em casa ainda é a mesma.Ao jogar 90 minutos do remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, foi um pouco da sensação que tive ao voltar para a Hyrule da década de 90. A nova versão chega ao Switch 2 com gráficos completamente retrabalhados, controles que lembram os atuais jogos da franquia e uma novidade que irá agradar o público brasileiro: a dublagem em português.A demonstração, dividida em três partes, passa pelos primeiros minutos do jogo, além de trechos de exploração em Hyrule e por uma dungeon mais avançada, com combates e quebra-cabeças, o suficiente para perceber que o game irá agradar tanto quem conhece o original quanto quem vai descobrir essa aventura agora.Um clássico que finalmente ganha a apresentação que merece
A primeira parte da demonstração acontece logo no começo da jornada, quando Link é acordado pela Navi, aprendendo os comandos básicos. Aqui, você entende como funcionam os ataques, as esquivas e a defesa, além de se familiarizar com a movimentação do personagem.Quem jogou a versão original no Nintendo 64 vai agradecer de os controles estão mais amigáveis. A câmera e a disposição dos comandos no Switch 2 deixam a experiência mais confortável, sem ter que brigar com o controle para executar uma ação simples.
Isso não significa que o remake tenha abandonado os desafios do jogo original: o sistema continua exigindo atenção aos movimentos dos inimigos, como o momento certo de atacar e a maneira como cada confronto deve ser encarado (falo disso mais pra frente).Visualmente, a mudança também chama a atenção desde os primeiros segundos do gameplay: a vegetação, iluminação e a composição dos cenários clássicos ganham uma roupagem muito bem-vinda, ajudando a construir um mundo mais vivo, sem perder a identidade visual que tornou Ocarina of Time tão reconhecível.Hyrule está mais viva do que nunca
A segunda parte da demonstração é mais curta, focada em exploração, colocando Link no caminho para o Castelo de Hyrule. O caminho pelos campos até o castelo serve como uma apresentação da dimensão do mapa e das mudanças que acompanham o remake.A primeira coisa que chama a atenção é o draw distance: o horizonte, além de mais detalhado, permite observar elementos do cenário que dão uma maior noção da escala desse mundo. Os campos verdes se estendem por uma área maior, criando uma ambientação mais convincente.
Outro detalhe é a quantidade de personagens que aparecem simultaneamente na tela assim que você chega ao castelo. Os NPCs e as ruas da praça transmitem mais a sensação de que Hyrule é um lugar habitado, e não apenas um cenário renderizado para receber Link em sua aventura.O caminho continua reconhecível, mas os detalhes visuais fazem com que a exploração pareça mais natural, lembrando um pouco do que Breath of the Wild fez, mas de um modo mais linear.As dungeons continuam exigindo paciência
A terceira e última parte da demonstração foi a mais divertida (acho que pela maioria que testou), onde Link, já mais velho, entra na dungeon do Templo da Floresta, com ambientes mais escuros, inimigos mais fortes e quebra-cabeças que exigem maior atenção.Aqui é possível ver um pouco mais de como a iluminação do remake mostra – entre outras coisas, que não parece ser um jogo 1:1. As sombras, a névoa e os pontos coloridos de luz criam uma atmosfera mais intimista. A nova direção de arte merece elogios justamente por entender o que fazia o primeiro jogo tão único. Em certos momentos, a escuridão faz parte do trabalho, ajudando a criar uma sensação de mistério que combina com a proposta da aventura.
Os inimigos são mais resistentes e pedem um timing melhor para ataques, esquivas e defesas, ou seja: não saia apertando os botões de qualquer jeito, entenda o comportamento de cada adversário, escolha a arma adequada e identifique as oportunidades para avançar. São controles novos, vai na boa.Infelizmente, não consegui chegar ao confronto contra o Phantom Ganon, chefe da dungeon apresentada durante o teste. Ainda assim, a demonstração foi suficiente para mostrar que o remake não pretende transformar deixar nada mais fácil para o jogador, independente da idade.Dublagem em português é uma das grandes novidades
O remake de Ocarina of Time conta com vozes em português brasileiro, novidade que pudemos ouvir durante a demonstração. As cenas cinematográficas além de mais longas, permitem que os personagens interajam e transmitam suas emoções. A presença das vozes ajuda a construir uma conexão maior com a história e torna alguns momentos mais expressivos do que eram na experiência original.
Ainda existem situações em que os personagens permanecem em silêncio durante as falas apresentadas na tela, mas isso é uma marca registrada da franquia. Nas cutscenes, a dublagem contribui para dar mais personalidade ao elenco e reforça a sensação de estar diante de uma aventura renovada.Não reconheci todas as vozes durante a sessão, mas a participação do dublador Mauro Ramos me foi familiar. O trabalho do veterano dublador é um dos pontos que mais me chamaram a atenção durante o teste, assim como o resto da dublagem dos personagens.Obrigado, Nintendo, por ouvir o público brasileiro. Ocarina of Time irá conquistar uma geração nova
Depois dos 90 minutos de demonstração, a palavra que resume pra mim é conforto. Faz mais de 20 anos desde a última vez que joguei Ocarina of Time, então boa parte da experiência para mim foi como se tivesse conhecendo um jogo novo.Se você achava que um remake não era necessário tão cedo, especialmente depois da versão para Nintendo 3DS, talvez seja a hora de reconsiderar. Pelos testes, a nova edição não se limita a atualizar os gráficos de um clássico, mas sim usar a estrutura de jogo sem abandonar o que fez o original ser tão importante.A influência de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom é clara, tanto em como o mundo é apresentado quanto na mudança dos controles, proporcionada pelo hardware atual. O resultado ainda preserva a estrutura do Ocarina original, mas oferece uma nova visão sobre uma aventura que muitos jogadores já conhecem de cor – e que não é exatamente a mesma.Agora, fica a pergunta: um remake de um dos jogos mais bem avaliados da história pode entrar na disputa por jogo do ano? Se a versão completa conseguir manter o nível apresentado nesses 90 minutos, não será difícil imaginar que Ocarina of Time volte a ocupar o centro das atenções sobre os grandes jogos da indústria mais uma vez.Essa briga será interessante de acompanhar.The Legend of Zelda: Ocarina of Time será lançado em 5 de novembro de 2026, exclusivamente para Nintendo Switch 2.Jogo testado na Cidade do México a convite da Nintendo.”}]] Voxel Novidades do TecMundo | Estadão



