{"id":71792,"date":"2026-11-06T21:15:00","date_gmt":"2026-11-07T00:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornal24horas.com.br\/?p=71792"},"modified":"2026-11-06T21:15:00","modified_gmt":"2026-11-07T00:15:00","slug":"valor-mortis-serve-um-soulslike-com-sabor-de-novidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornal24horas.com.br\/?p=71792","title":{"rendered":"Valor Mortis serve um soulslike com sabor de novidade"},"content":{"rendered":"<p>Como grande admirador de soulslikes, tendo jogado praticamente tudo que saiu relacionado ao g\u00eanero nos \u00faltimos anos, posso dizer com certa propriedade que tem sido cada vez mais dif\u00edcil surpreender o jogador. Assim como acontece com qualquer estilo de jogo que \u00e9 exaustivamente explorado, a f\u00f3rmula da FromSoftware parece j\u00e1 ter sido espremida de todos os \u00e2ngulos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Se antes o g\u00eanero era o exemplo a ser seguido por produtoras que almejam o sucesso garantido, hoje j\u00e1 tem gente que enxerga influ\u00eancias de Demon\u2019s Souls, Dark Souls e Bloodborne como algo negativo. N\u00e3o pela dificuldade, tampouco pelo level design complexo, que ainda \u00e9 o ponto forte desse jeito de fazer jogo, mas sim por ter ca\u00eddo na mesmice. <\/p>\n\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto\"><\/div>\n<p>Desenvolvido pela One More Level, conhecida por Ghostrunner, um jogo de a\u00e7\u00e3o em primeira pessoa inteiramente constru\u00eddo em torno de parkour, Valor Mortis preserva muito do DNA de seu irm\u00e3o mais novo. Com acrobacias, desafios de locomo\u00e7\u00e3o e muito combate visceral, o novo t\u00edtulo da desenvolvedora polonesa tem identidade suficiente para se diferenciar no mar de soulslikes. <\/p>\n<h3>Hist\u00f3ria morna, \u00e9 verdade, mas a tem\u00e1tica \u00e9 convincente o bastante<\/h3>\n<p>A tem\u00e1tica do s\u00e9culo XIX, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um atrativo e tanto para se aventurar em Valor Mortis. Voc\u00ea controla William, um soldado da Grande Arm\u00e9e, que lutou ao lado de Napole\u00e3o e viu o ex\u00e9rcito do qual fez parte perecer no campo de batalha. O protagonista, ent\u00e3o, renasce com poderes sobrenaturais ap\u00f3s ter sido abatido, mas v\u00ea o mundo \u00e0 sua volta corrompido pela Praga Carmesim. <\/p>\n<p>A partir da\u00ed, William embarca em uma jornada pela era napole\u00f4nica para tentar descobrir a origem da corrup\u00e7\u00e3o e, naturalmente, uma forma de cont\u00ea-la. Ainda que seja mais um dos in\u00fameros jogos a abordar o conceito de doen\u00e7a ou praga dentro do g\u00eanero, o game procura se diferenciar na ambienta\u00e7\u00e3o europeia e, sobretudo, no per\u00edodo hist\u00f3rico que representa. <\/p>\n\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto\"><\/div>\n<p>Para quem espera um desenvolvimento narrativo de jogo single-player, bem, n\u00e3o \u00e9 aqui que voc\u00ea vai encontrar. William vivencia flashbacks da guerra e carrega uma vers\u00e3o de Napole\u00e3o dentro da pr\u00f3pria mente. Ele conversa \u201csozinho\u201d com o antigo imperador em momentos decisivos, mas nunca com uma profundidade que nos fa\u00e7a querer prosseguir unicamente pela trama. <\/p>\n<p>Essa superficialidade com a qual a hist\u00f3ria \u00e9 apresentada, no entanto, nem chega a ser um problema para mim. \u00c9 verdade que os jogos da FromSoftware escondem universos bastante aprofundados por baixo da superf\u00edcie, mas, no geral, \u00e9 o level design que sempre tem algo a dizer, e n\u00e3o os documentos que encontramos pelo caminho ou os di\u00e1logos. Essa mesma l\u00f3gica se aplica a Valor Mortis. <\/p>\n<p>Ambientes naturais, como florestas, vales europeus e campos agr\u00edcolas, se misturam \u00e0s fortalezas e aos monumentos religiosos, criando um contraste entre o charme das constru\u00e7\u00f5es g\u00f3ticas da \u00e9poca e os cen\u00e1rios opressivos, visivelmente impactados pela praga que os assola. Tudo em uma qualidade gr\u00e1fica absurda.<\/p>\n\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto\"><\/div>\n<p>A densidade da vegeta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas abertas, a ilumina\u00e7\u00e3o que empresta fotorrealismo a todas as composi\u00e7\u00f5es e a estabilidade de desempenho mesmo com um visual exigente: Valor Mortis \u00e9 simplesmente um jogo de menor escopo com a \u201clataria\u201d de um Triple A. O n\u00edvel de detalhamento \u00e9 impressionante, sobretudo para um game menor, e deve fazer muita produtora grande passar vergonha.<\/p>\n<h3>Explora\u00e7\u00e3o vertical e requintes de metroidvania<\/h3>\n<p>A linearidade excessiva de algumas \u00e1reas, em especial no in\u00edcio, pode acabar incomodando quem gosta de se sentir perdido e deseja sair explorando assim que assume o controle do personagem. O que eu te digo \u00e9: tenha paci\u00eancia. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que os ambientes se abram e mostrem seu potencial: os atalhos milagrosos para as fogueiras, aqui chamadas de lamparinas, tamb\u00e9m est\u00e3o aqui. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, Valor Mortis n\u00e3o deixa passar nenhum item da lista do que faz um verdadeiro soulslike: da estrutura do jogo em si, inclusive com a dificuldade punitiva e a aus\u00eancia de mapa, \u00e0 progress\u00e3o por n\u00edveis. Seu diferencial, como comentei brevemente no in\u00edcio desta an\u00e1lise, reside nos elementos acrob\u00e1ticos. Para voc\u00ea ter uma no\u00e7\u00e3o da intensidade do parkour: tem at\u00e9 corrida na parede. <\/p>\n\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto\"><\/div>\n<p>\u00c0 medida que avan\u00e7a, William descobre novos poderes, o que inclui uma magia \u00edgnea para derreter objetos, al\u00e9m de um gancho, cujo prop\u00f3sito \u00e9 tornar a navega\u00e7\u00e3o mais vertical. \u00c9 justamente quando o jogo flerta com o g\u00eanero metroidvania, no sentido de incentivar o jogador a revisitar \u00e1reas para desbloquear novos caminhos, que ele mostra seus melhores truques. <\/p>\n<p>Controlar William diante de obst\u00e1culos de plataforma \u00e9 algo que me remeteu aos bons tempos de Mirror\u2019s Edge. Os movimentos do personagem s\u00e3o responsivos, transmitem a mesma fluidez de sua inspira\u00e7\u00e3o e, principalmente, n\u00e3o s\u00e3o prejudicados pela perspectiva em primeira pessoa. O simples ato de andar por esse mundo \u00e9 satisfat\u00f3rio. <\/p>\n<h3>Combate visceral e sanguinolento<\/h3>\n<p>O combate, por sua vez, \u00e9 muito bom e mostra que soulslikes podem funcionar em primeira pessoa, por incr\u00edvel que pare\u00e7a. Admito que eu estava relutante, at\u00e9 porque tenho minhas quest\u00f5es com cinetose e fico enjoado com certa facilidade diante de movimentos bruscos da c\u00e2mera, mas as mec\u00e2nicas de luta, seja no corpo a corpo, seja nos encontros \u00e0 dist\u00e2ncia, s\u00e3o refinad\u00edssimas. <\/p>\n<p>William carrega uma arma branca em uma das m\u00e3os, enquanto a outra fica ocupada com uma pistola ou algum tipo de magia. A din\u00e2mica ofensiva e defensiva gira toda em torno do parry. Aparar vai ser sempre a melhor op\u00e7\u00e3o, uma vez que, quando executado no tempo certo, o movimento pode quebrar a postura do advers\u00e1rio e deix\u00e1-lo vulner\u00e1vel a uma finaliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto\"><\/div>\n<p>As finaliza\u00e7\u00f5es, inclusive, s\u00e3o o que Valor Mortis tem de melhor, com anima\u00e7\u00f5es focadas puramente na visceralidade e na sanguinol\u00eancia. Em uma delas, por exemplo, nosso personagem agarra o inimigo pelo manto imperial e coloca a pistola em sua boca para disparar um tiro que tritura os miolos. Em outra, William desmembra partes do corpo dos infectados como se fossem meros filezinhos de carne. <\/p>\n<p>A esquiva, por outro lado, apesar de ser exigida nos encontros contra chefes, n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 aquelas coisas, sendo a maior limita\u00e7\u00e3o do combate. Como voc\u00ea n\u00e3o tem uma vis\u00e3o ampla de todos os elementos \u00e0 sua volta e, principalmente, nem sempre consegue ter plena no\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o em que o personagem est\u00e1 pisando, desviar com precis\u00e3o passa a ser um desafio e, acima de tudo, uma a\u00e7\u00e3o um tanto quanto arriscada (e destrambelhada). <\/p>\n<h3>Vale a pena?<\/h3>\n\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto\"><\/div>\n<p>Valor Mortis, para a surpresa de muitos (inclusive a minha), n\u00e3o se contenta em ser s\u00f3 um soulslike em primeira pessoa com outra roupagem. O jogo possui uma excelente base, preservando o DNA dos movimentos acrob\u00e1ticos pelos quais a One More Level \u00e9 conhecida, e entrega um combate extremamente satisfat\u00f3rio, apesar da esquiva imprecisa. <\/p>\n<p>A ambienta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX, pouco explorada nos videogames, tamb\u00e9m ajuda a tornar Valor Mortis ainda mais singular. O mais impressionante de tudo \u00e9 saber que um jogo com tanta ambi\u00e7\u00e3o foi concebido com tamanho esmero por uma desenvolvedora que nunca ganhou os holofotes que merecia, o que deve mudar a partir de agora. <\/p>\n<h3>Nota: 90<\/h3>\n<p><b>Pr\u00f3s <\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Tem\u00e1tica e ambienta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX, pouco exploradas nos videogames;<\/li>\n<li>Parkour, desafios de plataforma e elementos de metroidvania;<\/li>\n<li>\u00c9 um soulslike tradicional, mas mais original do que parece;<\/li>\n<li>Combate em primeira pessoa responsivo e visceral;<\/li>\n<li>Textos em portugu\u00eas do Brasil.<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Contras<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>A hist\u00f3ria joga seguro e permanece superficial;<\/li>\n<li>Esquivar pode ser um problema. <\/li>\n<\/ul>\n<p>Uma c\u00f3pia de Valor Mortis foi gentilmente cedida pela One More Level para fins de an\u00e1lise em um PlayStation 5 Pro. O jogo est\u00e1 dispon\u00edvel para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. <\/p>\n<p>[[{&#8220;value&#8221;:&#8221;Como grande admirador de soulslikes, tendo jogado praticamente tudo que saiu relacionado ao g\u00eanero nos \u00faltimos anos, posso dizer com certa propriedade que tem sido cada vez mais dif\u00edcil surpreender o jogador. Assim como acontece com qualquer estilo de jogo que \u00e9 exaustivamente explorado, a f\u00f3rmula da FromSoftware parece j\u00e1 ter sido espremida de todos os \u00e2ngulos poss\u00edveis.Se antes o g\u00eanero era o exemplo a ser seguido por produtoras que almejam o sucesso garantido, hoje j\u00e1 tem gente que enxerga influ\u00eancias de Demon\u2019s Souls, Dark Souls e Bloodborne como algo negativo. N\u00e3o pela dificuldade, tampouco pelo level design complexo, que ainda \u00e9 o ponto forte desse jeito de fazer jogo, mas sim por ter ca\u00eddo na mesmice. <\/p>\n<p>                            Desenvolvido pela One More Level, conhecida por Ghostrunner, um jogo de a\u00e7\u00e3o em primeira pessoa inteiramente constru\u00eddo em torno de parkour, Valor Mortis preserva muito do DNA de seu irm\u00e3o mais novo. Com acrobacias, desafios de locomo\u00e7\u00e3o e muito combate visceral, o novo t\u00edtulo da desenvolvedora polonesa tem identidade suficiente para se diferenciar no mar de soulslikes. Hist\u00f3ria morna, \u00e9 verdade, mas a tem\u00e1tica \u00e9 convincente o bastante<br \/>\nA tem\u00e1tica do s\u00e9culo XIX, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um atrativo e tanto para se aventurar em Valor Mortis. Voc\u00ea controla William, um soldado da Grande Arm\u00e9e, que lutou ao lado de Napole\u00e3o e viu o ex\u00e9rcito do qual fez parte perecer no campo de batalha. O protagonista, ent\u00e3o, renasce com poderes sobrenaturais ap\u00f3s ter sido abatido, mas v\u00ea o mundo \u00e0 sua volta corrompido pela Praga Carmesim. A partir da\u00ed, William embarca em uma jornada pela era napole\u00f4nica para tentar descobrir a origem da corrup\u00e7\u00e3o e, naturalmente, uma forma de cont\u00ea-la. Ainda que seja mais um dos in\u00fameros jogos a abordar o conceito de doen\u00e7a ou praga dentro do g\u00eanero, o game procura se diferenciar na ambienta\u00e7\u00e3o europeia e, sobretudo, no per\u00edodo hist\u00f3rico que representa. <\/p>\n<p>                            Para quem espera um desenvolvimento narrativo de jogo single-player, bem, n\u00e3o \u00e9 aqui que voc\u00ea vai encontrar. William vivencia flashbacks da guerra e carrega uma vers\u00e3o de Napole\u00e3o dentro da pr\u00f3pria mente. Ele conversa \u201csozinho\u201d com o antigo imperador em momentos decisivos, mas nunca com uma profundidade que nos fa\u00e7a querer prosseguir unicamente pela trama. Essa superficialidade com a qual a hist\u00f3ria \u00e9 apresentada, no entanto, nem chega a ser um problema para mim. \u00c9 verdade que os jogos da FromSoftware escondem universos bastante aprofundados por baixo da superf\u00edcie, mas, no geral, \u00e9 o level design que sempre tem algo a dizer, e n\u00e3o os documentos que encontramos pelo caminho ou os di\u00e1logos. Essa mesma l\u00f3gica se aplica a Valor Mortis. Ambientes naturais, como florestas, vales europeus e campos agr\u00edcolas, se misturam \u00e0s fortalezas e aos monumentos religiosos, criando um contraste entre o charme das constru\u00e7\u00f5es g\u00f3ticas da \u00e9poca e os cen\u00e1rios opressivos, visivelmente impactados pela praga que os assola. Tudo em uma qualidade gr\u00e1fica absurda.<\/p>\n<p>                            A densidade da vegeta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas abertas, a ilumina\u00e7\u00e3o que empresta fotorrealismo a todas as composi\u00e7\u00f5es e a estabilidade de desempenho mesmo com um visual exigente: Valor Mortis \u00e9 simplesmente um jogo de menor escopo com a \u201clataria\u201d de um Triple A. O n\u00edvel de detalhamento \u00e9 impressionante, sobretudo para um game menor, e deve fazer muita produtora grande passar vergonha.Explora\u00e7\u00e3o vertical e requintes de metroidvania<br \/>\nA linearidade excessiva de algumas \u00e1reas, em especial no in\u00edcio, pode acabar incomodando quem gosta de se sentir perdido e deseja sair explorando assim que assume o controle do personagem. O que eu te digo \u00e9: tenha paci\u00eancia. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que os ambientes se abram e mostrem seu potencial: os atalhos milagrosos para as fogueiras, aqui chamadas de lamparinas, tamb\u00e9m est\u00e3o aqui. Ali\u00e1s, Valor Mortis n\u00e3o deixa passar nenhum item da lista do que faz um verdadeiro soulslike: da estrutura do jogo em si, inclusive com a dificuldade punitiva e a aus\u00eancia de mapa, \u00e0 progress\u00e3o por n\u00edveis. Seu diferencial, como comentei brevemente no in\u00edcio desta an\u00e1lise, reside nos elementos acrob\u00e1ticos. Para voc\u00ea ter uma no\u00e7\u00e3o da intensidade do parkour: tem at\u00e9 corrida na parede. <\/p>\n<p>                            \u00c0 medida que avan\u00e7a, William descobre novos poderes, o que inclui uma magia \u00edgnea para derreter objetos, al\u00e9m de um gancho, cujo prop\u00f3sito \u00e9 tornar a navega\u00e7\u00e3o mais vertical. \u00c9 justamente quando o jogo flerta com o g\u00eanero metroidvania, no sentido de incentivar o jogador a revisitar \u00e1reas para desbloquear novos caminhos, que ele mostra seus melhores truques. Controlar William diante de obst\u00e1culos de plataforma \u00e9 algo que me remeteu aos bons tempos de Mirror\u2019s Edge. Os movimentos do personagem s\u00e3o responsivos, transmitem a mesma fluidez de sua inspira\u00e7\u00e3o e, principalmente, n\u00e3o s\u00e3o prejudicados pela perspectiva em primeira pessoa. O simples ato de andar por esse mundo \u00e9 satisfat\u00f3rio. Combate visceral e sanguinolento<br \/>\nO combate, por sua vez, \u00e9 muito bom e mostra que soulslikes podem funcionar em primeira pessoa, por incr\u00edvel que pare\u00e7a. Admito que eu estava relutante, at\u00e9 porque tenho minhas quest\u00f5es com cinetose e fico enjoado com certa facilidade diante de movimentos bruscos da c\u00e2mera, mas as mec\u00e2nicas de luta, seja no corpo a corpo, seja nos encontros \u00e0 dist\u00e2ncia, s\u00e3o refinad\u00edssimas. William carrega uma arma branca em uma das m\u00e3os, enquanto a outra fica ocupada com uma pistola ou algum tipo de magia. A din\u00e2mica ofensiva e defensiva gira toda em torno do parry. Aparar vai ser sempre a melhor op\u00e7\u00e3o, uma vez que, quando executado no tempo certo, o movimento pode quebrar a postura do advers\u00e1rio e deix\u00e1-lo vulner\u00e1vel a uma finaliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>                            As finaliza\u00e7\u00f5es, inclusive, s\u00e3o o que Valor Mortis tem de melhor, com anima\u00e7\u00f5es focadas puramente na visceralidade e na sanguinol\u00eancia. Em uma delas, por exemplo, nosso personagem agarra o inimigo pelo manto imperial e coloca a pistola em sua boca para disparar um tiro que tritura os miolos. Em outra, William desmembra partes do corpo dos infectados como se fossem meros filezinhos de carne. A esquiva, por outro lado, apesar de ser exigida nos encontros contra chefes, n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 aquelas coisas, sendo a maior limita\u00e7\u00e3o do combate. Como voc\u00ea n\u00e3o tem uma vis\u00e3o ampla de todos os elementos \u00e0 sua volta e, principalmente, nem sempre consegue ter plena no\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o em que o personagem est\u00e1 pisando, desviar com precis\u00e3o passa a ser um desafio e, acima de tudo, uma a\u00e7\u00e3o um tanto quanto arriscada (e destrambelhada). Vale a pena?<\/p>\n<p>                            Valor Mortis, para a surpresa de muitos (inclusive a minha), n\u00e3o se contenta em ser s\u00f3 um soulslike em primeira pessoa com outra roupagem. O jogo possui uma excelente base, preservando o DNA dos movimentos acrob\u00e1ticos pelos quais a One More Level \u00e9 conhecida, e entrega um combate extremamente satisfat\u00f3rio, apesar da esquiva imprecisa. A ambienta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX, pouco explorada nos videogames, tamb\u00e9m ajuda a tornar Valor Mortis ainda mais singular. O mais impressionante de tudo \u00e9 saber que um jogo com tanta ambi\u00e7\u00e3o foi concebido com tamanho esmero por uma desenvolvedora que nunca ganhou os holofotes que merecia, o que deve mudar a partir de agora. Nota: 90<br \/>\nPr\u00f3s Tem\u00e1tica e ambienta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX, pouco exploradas nos videogames;Parkour, desafios de plataforma e elementos de metroidvania;\u00c9 um soulslike tradicional, mas mais original do que parece;Combate em primeira pessoa responsivo e visceral;Textos em portugu\u00eas do Brasil.ContrasA hist\u00f3ria joga seguro e permanece superficial;Esquivar pode ser um problema. Uma c\u00f3pia de Valor Mortis foi gentilmente cedida pela One More Level para fins de an\u00e1lise em um PlayStation 5 Pro. O jogo est\u00e1 dispon\u00edvel para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.&#8221;}]]\u00a0\u00a0Voxel\u00a0Novidades do TecMundo | Estad\u00e3o\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como grande admirador de soulslikes, tendo jogado praticamente tudo que saiu relacionado ao g\u00eanero nos \u00faltimos anos, posso dizer com certa propriedade que tem sido cada vez mais dif\u00edcil surpreender o jogador. 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